quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Amor ao primeiro passo




A dança é apenas uma das vertentes dos inúmeros formatos que a arte abrange. Tradicionalmente, quando se pensa em dança, a imagem de mulheres dançarinas vem logo à nossa mente. A verdade é que, atualmente, os homens também estão dominando esse segmento. Não apenas um ritmo em especial, mas a grande diversidade que existe.

A dança pode surgir na vida desses dançarinos por inúmeros motivos. Como um exercício físico, uma maneira de atrair as mulheres e, até mesmo, como saída de um momento difícil da vida. É o caso do Cleidson de Oliveira, 28. Após o término de um relacionamento de muito tempo, aos 22 anos, o analista de sistemas estava se sentindo muito pra baixo. Ao saber do projeto "Dançar Faz Bem" (ver quadro abaixo), da Universidade Federal do Ceará (UFC), surgiu em Cleidson a vontade de aprender a dançar forró, tradicional ritmo nordestino. "Entrei na sala lotada do aulão daquele projeto maravilhoso e, sem perceber, estava encarando ritmos que eu não imaginava nunca dançar. Não tive dúvidas que havia encontrado o hobbie que faltava para eu sair da frente do computador, me exercitar e, acima de tudo, conhecer pessoas maravilhosas. Com o passar do tempo, dançar uma vez por semana não era suficiente. Passei a fazer duas vezes por semana, depois três, até que me vi com todos os dias da semana ocupados com aulas e práticas de dança de salão. Gosto de levar as coisas a sério, mas com a dança isso foi muito mais forte".

Apesar de ter começado com o forró, Cleidson faz questão de contar que, em pouco tempo, acabou se envolvendo com todos os ritmos que o projeto oferecia. Mas foi o tango, em especial, que mudou sua vida. "Eu nunca tinha dançado tango pelo simples motivo do 'Dançar faz bem' não ofertar o ritmo. Foi, então, que eles organizaram um curso de férias. Lembro-me que havia me matriculado apenas no curso de Salsa Avançado e, quando cheguei para a aula, ainda não havia terminado a anterior, que era justamente a de Tango Iniciante. Estava tocando uma música que, naquele momento, fisgou o meu interesse pelo ritmo: Pa' Bailar do grupo Bajofondo. Pronto, foi ali que eu não tive dúvidas que queria aprender Tango".

Desde então, muitas coisas mudaram na vida do analista de sistemas. Cleidson passou a fazer vários cursos e dedicar grande parte da sua vida ao tango. Além disso, ele conheceu sua parceira Bel Miranda. Hoje, os dois têm um curso dentro do "Dançar faz Bem" e ensinam o ritmo. Eles também são proprietários do "Dance Tango". A iniciativa dos dois visa difundir o tango argentino na capital cearense e, com apenas 2 anos de existência, já é um grande sucesso. É notável a paixão que Cleidson sente pelo tango ao conversar com ele. "O tango é único, diferente, envolvente e especial. Existem coisas mágicas com esse ritmo. Quando você entra no salão e abraça sua parceira ao som dos primeiros acordes do bandoneón (principal instrumento utilizado na orquestra do tango), a sensação é indescritível. Você precisa sentí-lo para dançar e a música lhe inspira para a criação dos mais lindos passos. Como homem, você precisa estar com o espírito de propiciar um boa dança à sua dama, deixando-a equilibrada, como que flutuando em seus braços, fora de situações onde ela corra algum tipo de risco ou constrangimento. O ritmo possui acima de tudo uma linda cultura originada de Buenos Aires, onde o respeito pela dama e pelos outros casais que estão no salão sempre fala mais alto. Até a forma de convidar para dançar um tango em Buenos Aires é diferente. A palavra é, portanto, essa: o tango é especial", tenta descrever, sem poupar elogios.

Ao falar sobre o preconceito que ainda existe com os homens que gostam de dançar, Cleidon conta que passou por isso no início, mas soube superar a má fase. Em contraponto, ele faz questão de ressaltar o benefícios que a dança traz para um ser humano. "Não existem doenças, nem problemas. Você simplesmente se transporta para longe de tudo. Para o homem, especificamente, a dança traz benefícios incríveis: passamos a ter mais zelo pelas mulheres, passamos a cuidar melhor delas, tratá-las de forma cada vez mais cordial. Em outras palavras, a sociedade ganha autênticos cavalheiros", brinca.

Timidez de lado

Jefferson Capistrano, 25, também é aluno do "Dançar faz Bem". Ele conheceu o projeto através da rede social Facebook. Sua vontade de dançar teve início muito tempo antes, com 18 anos, quando ele assistiu pela primeira vez o filme "Dirty Dancing". "Eu andava em algumas festas e não sabia dançar. Achava isso constrangedor, mas eu era muito tímido. Após conhecer o projeto, eu me senti tão a vontade que hoje me considero 'sem vergonha', conta com muito bom humor.

Segundo ele, o preconceito com homens que dançam hoje está cada vez menor. Ele acredita que inúmeros programas de televisão, como a "Dança dos Famosos" no Faustão, ajudaram a difundir essa arte, que é cada vez mais procurada por pessoas do sexo masculino. O supervisor de TI faz questão de enumerar os bens que a dança pode trazer para a vida de um ser humano. "Dançar faz bem para a saúde. Ajuda a emagrecer, enrijece os músculos, é um antidepressivo natural, pois eleva a auto-estima e é uma ótima maneira de conhecer pessoas novas", explica. Para ele, a dança modificou sua vida para melhor.

Desengonçado

Abnadan de Melo, 21, é estudante de Engenharia Elétrica. Ele sempre gostou de música e tinha vontade de aprender como se expressar corporalmente. Foi um amigo que o apresentou ao projeto "Dançar Faz Bem". Mesmo se considerando desengonçado e "duro", Abnadan decidiu se inscrever para as aulas. Ele ficou impressionado ao chegar no dia das inscrições e perceber a quantidade de gente interessada em aprender a dançar. "A fila era enorme. Aproximei-me de uma menina e perguntei se ela estava no final da fila e ela disse que sim, mas aquela era a fila das mulheres. Quando ela apontou a fila dos homens, vi apenas umas 5 pessoas papeando. A sorte é que o número de vagas para homens e para mulheres em cada turma tem que ser igual, para que se formem os pares nas aulas, assim eu consegui uma vaga, e ainda ficou faltando homem em uma das turmas", contou.

O intuito do universitário era aprender o bom e velho forró, mas, aos poucos, ele foi conhecendo outros ritmos e acabou se apaixonando pelo zouk (ritmo originário das Antilhas e muito influente na região norte do Brasil). "Nunca soube que ritmo era esse. O som da palavra me remetia a alguma coisa tribalista. Foi com grande surpresa que ouvi tocar uma versão remix de "Hotel California" quando a professora começou a nos ensinar a base dessa dança e acabou sendo uma coisa envolvente. De repente, eu tava fascinado e comecei a baixar quilos e quilos de músicas na internet. Muitas delas, inclusive, eram versões remix de todo tipo de cantor e um monte de bandas que eu sempre adorei, desde Kid Abelha até Dido, só que com uma batida muito dançante", conta, bastante empolgado, e aproveita para revelar que não pretende parar de dançar nunca mais.

Desde a infância

Apaixonado por dança desde a infância, Davi Cândido, de 28 anos, teve seu "momento timidez" apenas durante a fase da adolescência. Ele conheceu o "Dançar Faz Bem" bem no seu início, no ano de 2005. Formado em Pedagogia, ele relembra que, na época, o projeto funcionava apenas para os alunos de Educação Física. "Entre uma disciplina e outra eu sempre passava pela sala e ouvia as músicas. Achava interessante, sobretudo, porque ouvia ritmos não tão comuns em nosso cotidiano, como salsa, bolero e isso me chamava atenção porque parecia uma boa alternativa ao “forró eletrônico”, que tanto poluía meus ouvidos. Até que uma noite tomei coragem e fui para o aulão", conta.

Hoje em dia, Davi não esconde sua paixão pela dança. "Como costumo dizer, na dança de salão é comum passarmos por fases distintas. Teve épocas que era apaixonado por bolero, depois por samba, a última foi salsa e atualmente me encontro apaixonado pelo bom e velho forró pé de serra", explica.

O pedagogo ressalta que, além de uma ótima auto-estima, a dança trouxe inúmeros benefícios para a sua vida. " A dança trouxe benefícios físicos e comportamentais, como por exemplo o respeito ao próximo, desejo de superação, paciência, concentração, disciplina, poder de decisão, auto confiança, entre outros", enumera.





PROJETO DANÇAR FAZ BEM
Fundado em 2001, o projeto começou como uma extensão do curso de Educação Física da Universidade Federal do Ceará (UFC). Dentre suas atividades, o "Dançar Faz Bem" oferece aulas de dança de salão à comunidade acadêmica e não-acadêmica, promove bailes, aulões de divulgação, cursos de férias, além de fazer apresentações artísticas em diversos eventos na cidade divulgando esta modalidade.
Atualmente o projeto é coordenado pelo professor Dr. Leandro Masuda (Coordenador do curso de Educação Física da UFC) e conta com a seguinte equipe de professoras: Bel Miranda, Elainy Vieira, Julli Nunes, Paulo Jorge e Diógenes Segundo. A cada semestre, cerca de 300 pessoas são beneficiadas pelas atividades oferecidas pelo projeto.
Aos interessados em participar das aulas de dança, as inscrições para o projeto iniciam no começo de todo semestre. As aulas acontecem aos sábado, de manhã ou de tarde. Para saber mais informações, é só clicar aqui.


A importância da dança, segundo o ponto de vista do Professor Pedro Guedes, 21.

audio pedro by Suzane Saldanha


Jacqueline Nóbrega e Suzane Saldanha

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