quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Histórias e impressões em gravuras

"Claro - escuro renascentista em pleno sertão, contraste barroco entre a alegria e a dor, imagem talhada pela fé, como se a vida fosse reinventada cada vez que fosse impressa, como Verônica imprimiu a face de um Cristo no tecido de linho.

Imagens que só se completam quando entintadas e pressionadas sobre o papel, que de outro modo configuram apenas uma tábua marcada por escavações e cortes, flagelada pela dor que é criar, buscar todas as influências e lembranças possíveis, mergulhar no fundo mais fundo e trazer a idéia do traço que vai se transformar nessa imagem."

Gilmar de Carvalho



A xilogravura, uma das grandes representantes da cultura popular nordestina, foi uma das primeiras técnicas de gravação e impressão. Utilizada em capas de folhetos de cordel, sua gravação é feita sobre uma placa de madeira.  Embora não haja um consenso sobre o período de origem da xilogravura, sabe-se que seu uso nos primeiros folhetos de cordel surgiram no final do século XIX e, desde então, transformou-se em um ícone da nossa produção artística.

O Brasil só pôde desfrutar da xilogravura a partir de 1808, quando a Família Real veio para cá. Até então, era proibida a instalação de oficinas de impressão no país, alegando que a metrópole tinha condições de suprir a demanda da colônia. Algum tempo depois, houve uma tentativa oficial de ensino da xilogravura, abrindo-se a cadeira na Academia de Belas-Artes; entretanto, a disciplina nunca teve existência efetiva.

Em seguida, surgiu a chamada “gravura da arte”, com Lasar Segall, Osvaldo Goeldi e Livio Abramo. Esses artistas influenciaram, em maior ou menor escala, os gravadores e, principalmente, xilogravadores, que seguiam seu caminho. Entre eles, pode-se citar Renina Katz, Maria Bonomi, Marcello Grassman e Newton Cavalcanti.

Influenciada pela capacidade de reprodução de uma imagem em grande escala, a xilogravura passou a ser associada a manifestações populares, possuindo, quase sempre, um caráter expressionista e figurativo. Hoje,  ela atende a exigências estéticas modernistas e também contemporâneas e marca o trabalho de artistas como Audifax Rios e Rafael Limaverde, atraindo o interesse dos mais diversos públicos.

O psicólogo José Vasconcelos Filho, por exemplo, é um dos admiradores dessa arte. Ele conta porque a considera peculiar e do plano de utilizá-la para fazer seu ex-libris:
As imagens agradam por serem, ao mesmo tempo, simples e complexas. Fácil de fazer e até mesmo de improvisar – as imagens podem ser produzidas com uma batata ou melancia cortadas ao meio –, ela conquista cada vez mais adeptos em nosso Estado, e várias oficinas são oferecidas em Fortaleza. Também está em andamento a criação do Centro de Referência da Gravura no Ceará, que ficará localizado na casa em que nasceu Castelo Branco, na rua Sólon Pinheiro.

Eduardo Eloy coordenou, no ano passado, o curso Gravura – Oficinas em Rede, acredita que a produção cearense tem potencial. “O Ceará já tem gravura de bom nível. Nossa produção é boa, já disse a que veio”, afirma. O artista Rafael Limaverde é um grande exemplo – ele já realizou duas exposições individuais e desenvolveu logomarcas para a Prefeitura, como o do V Festival de Teatro de Fortaleza.





Embora ainda sofra algum preconceito, a xilogravura tem conquistado respeito e admiração ao longo dos anos e, mais do que uma técnica de reprodução, transformou-se na representação impressa da história, da cultura e dos anseios populares.  


Aprenda a fazer xilogravura:


Das artes marciais à arte da dança

O que leva um karateca virar um dos dançarinos mais famosos da cidade?! 
Aos 28 anos, o educador físico e dançarino Diego Borges é considerado um dos profissionais de dança mais requisitados do Ceará. A dedicação com as artes não começou com a dança, mas sim através da arte marcial: Karatê . 
Ainda na faculdade de educação física, Diego teve o primeiro contato com a dança de salão, mas, na época, suas metas e objetivos estavam sendo centralizados para o Karatê. Chegou até disputar vários campeonatos, inclusive em mundiais onde conquistou medalha de bronze em 2005.
Ao chegar em Fortaleza, Diego resolveu tirar férias do Karatê e decidiu entrar no projeto de dança de salão da Universidade Federal do Ceará, o "dançar faz bem" onde acabou se tornando professor anos depois. O último contato com o Karatê foi em 2008 no Campeonato Panamericano, onde acabou sofrendo uma lesão no dedo esquerdo do pé.




Pioneiro West Coast Swing no Ceará    
Em 2008 o dançarino começou a estudar mais sobre a dança que é considerada o "swing da costa oeste" , um ritmo original da California criado nos anos 40/50, e logo se tornou destaque no estilo de dança. Diego foi o primeiro nordestino que estudou o WCS, o primeiro brasileiro a ganhar competição nos EUA e ainda o primeiro cearense a participar da Dança dos Famosos do Programa do Faustão.

 O ritmo, pouco divulgado em nosso país, é um dos mais interessantes, empolga-se Diego: "a vantagem dele em cima dos outros ritmos é que a música consegue evoluir muito rápido. Pode ser dançado com músicas pops. São músicas que todos escutam, não é preciso ir atrás de um cd com esse ritmo, quase todos nós temos em casa músicas pops."


Primeira competição
Pela falta de domínio com a língua inglesa, ele lembra que foi muito engraçado participar da competição norte-americana, além da coincidência dos nomes: Swing Diego. O evento, realizado em maio do ano passado, foi uma experiência nova e bem divertida: "Eu viajei sozinho, todo mundo estava preocupado comigo e com meu inglês. Minha família e amigos me acompanhavam direto pela internet".
No Swing Diego, 130 homens e 130 mulheres participam da competição dançando uns com os outros e, por último, ficam 12 dançarinos na disputa. A sensação ao chegar na final, em dançar sozinho para um público grande e conseguir chegar na etapa mais importante, foram momentos únicos e jamais sentidos em outras ocasiões: "a sensação é muito boa, eu competi karatê a vida inteira..... Por eu estar muito pronto pro karatê, eu não sentia tanta emoção ... Na dança, eu fiquei nervoso e muito emocionado." Declara sorridente e satisfeito com a conquista.


Dança dos Famosos

Ainda comemorando sua vitória nos Estados Unidos, Diego soube que não tinha muito tempo para aterrissar no Rio de Janeiro. A produção do programa do Faustão pediu para que chegasse no dia seguinte para se apresentar. Ele lembra que a correria foi grande, mas conseguiu chegar no destino na hora: "eu corri para antecipar meu voo. Não consegui nem passar em casa. Foi muito corrido mesmo,mas foi muito bom. Uma fase inesquecível ."
Um dos momentos mais difíceis era de montar a coreografia, o dançarino pegava o CD em um domingo e já, na segunda, tinha que apresentar à sua aluna a música e começar a montar a coreografia.
Diego não chegou até a final das Danças dos Famosos, mas garante que foi uma fase única, de muito aprendizado que abriu portas para outros trabalhos.


Sucesso 
A música sempre esteve presente no lar familiar do educador físico, por isso não foi tão dificil ir adiante com a carreira de dançarino. O sucesso que veio rapidamente, logo após a sua participação da Danças dos Famosos, mudou a sua vida.
Após a saída do programa, ele não imaginava que ia ter tanta repercussão, principalmente porque, no Ceará, existem professores que dão aulas há mais de 10 anos e ele, que está apenas com 5 anos "no mercado", conseguiu crescer e desenvolver mais até do que outras pessoas.
Para ele, a dança significa uma grande liberdade de se expressar: "dança é a liberdade de você ser quem realmente é. As pessoas, quando estão dançando, mostram seu lado real. Os tímidos ficam extrovertidos, o calmo vira garanhão".
Ele não parou por aí, o significado de dança também é algo voltado para a arte: "a dança é a arte de transformar pessoas, é a arte de explorar o que cada um tem de melhor, é melhorar o que cada um já tem. Dança é mexer com mente, corpo e sentimento. É a arte de valorizar e descobrir o que cada um tem de melhor."


Surpresa
Pensando que a entrevista acabaria ali, Diego me convidou para ter a primeira aula de dança. Disponível logo mais abaixo.
Para quem quiser conhecer mais sobre o trabalho do dançarino é só entrar em contato através do e-mail: diegoborgeswcs@gmail.com



      

Mãos que transformam lixo em arte

Ele gosta de desenhar, de viajar, de conhecer pessoas, de observar e de surfar. E decidiu unir tudo isso na sua arte, sua forma de tentar melhorar o mundo. Artesão autônomo há seis anos, Franklin Ferreira, 41 anos, começou seus primeiros trabalhos manuais por influência de um amigo surfista. Fez uma peça decorativa de gesso ilustrando um surfista pegando uma onda. Mas foi além do caráter decorativo e, já pensando em maneiras de como não degradar o ambiente, começou a trabalhar com lixo eletrônico.Eu observei que pouca gente trabalha com lixo eletrônico. As pessoas abrem as peças e retiram alguns materiais encontrados dentro, como o cobre, mas não fazem nada com a carcaça”, recorda.


Atualmente, ele faz peças decorativas e funcionais e divulga seu trabalho através da marca Maré Verde, criada a partir do conceito de maré "que deve arrastar as pessoas para reutilizar a natureza (o verde)". Seu blog, existe há quatro anos e, de lá pra cá, Franklin já participou de várias exposições temáticas, concursos e já efetuou vendas pela internet para cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. 

“O curioso é que o pessoal daqui pergunta por que é tão caro e o do Sul pergunta por que é tão barato?! Acontece que uma idéia não tem preço... e dependendo do material utilizado, há peças que podem durar um tempo de até quatro gerações. Há uma incompreensão à respeito desse tipo de trabalho. A maioria das pessoas que fazem reciclagem, o fazem por modismo", explica o artesão.

Divulgando Fortaleza

Alguns de seus trabalhos ilustram pontos turísticos de Fortaleza, como a estátua de Iracema, a Ponte Metálica e o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. “Quando vou à São Paulo ou até mesmo à Jericoacoara, sempre levo comigo algumas peças que representam peculiaridades próprias daqui, da nossa terrinha”, orgulha-se.

Apagador de lousa, porta-guardanapo, porta-chave e tiara de cabelo são feitos com mouses. Teclados são transformados em telas. Cartões telefônicos em imã de geladeira. Garrafas pet formam um revisteiro e um garrafão d’água torna-se quase irreconhecível ao ser identificado como abajur. E há mais matéria-prima, como descreve o artesão: "Além desses, uso parafuso, tinta nankin, cola quente, alicate, ferro quente para abrir os furos, papel, tecido, lacre de latas de refrigerante, dentre outros, e muitos consigo através de doações. O legal é que o próprio design dos mouses e teclados ajuda na composição da arte final”.

Veja abaixo a produção de Franklin:


Já Társila Peixoto, artista plástica de 27 anos, transforma tudo o que toca, não apenas o que iria para o lixo em mãos comuns e descompromissadas com o meio ambiente.

Já tendo trabalhado com design de moda e design gráfico até 2010, atualmente Társi, como gosta de ser chamada, faz pesquisas sobre reciclagem e uso de materiais, assim como produz telas, porta-chaves e cartões sobrepondo diferentes materiais: “Procuro usar o que geralmente seria jogado fora. Ou mesmo coisas com as quais simplesmente não faríamos nada. Uso isopô, tinta, fita, lantejoula e diferentes tipos de papel".

Planos
 
Cursando Design de Interiores na Faculdade Integrada do Ceará, FIC, Társi planeja ainda trabalhar com design de produtos decorativos como móbiles feitos de garrafas pet, e com design gráfico, fazendo calendários e agendas a partir de material reciclado.

“Meu objetivo é transmitir mensagens positivas. Nos meus cartões há mensagens de paz, amor, e amizade. Acredito que são coisas alcançadas a partir da preservação da natureza e da conscientização de que é preciso utilizá-la de forma transformadora e responsável", conclui.



E reciclar não só é uma prática admirável como também fundamental no atual contexto cultural, social e econômico em que vivemos. Quem melhor explica sobre isso é o professor Albert Gradvohl, da disciplina de gestão ambiental do curso de Ciências Contábeis da Unifor:

Podcast Albert Gradvohl by user7242085

Arte urbana: breack, Dj, Mc e graffiti

Reaprendendo a escrever


"Hoje a gente vai treinar o alfabeto, cada um vai descobrir o seu estilo. O caderno é muito importante, não pode perder", foi assim que o professor, Davi Favela, começou a sua aula para cerca de 25 adolescentes que compareceram à escola, em um sábado às 9 horas da manhã, para aprender a grafitar.

Graffiti na delegacia do Bom Jardim



Estes alunos estão participando do Projeto Farol que acontece em toda a comunidade do Bom Jardim e conta com a orientação e coordenação geral de Roberto, que decidiu ajudar comunidades seguindo o exemplo de sua esposa, Geralda. “Minha esposa fazia trabalhos voluntários, ajudava pessoas nas comunidades, aí eu falei pra ela: Peraí, uma coisa não tá certa, bora se organizar, montar uma entidade. E a coisa foi crescendo e eu não estava mais satisfeito em ser engenheiro, aí eu me qualifiquei, e passei a assumir como professor. Sou de São Paulo, tô no Ceará por causa desse trabalho, isso aqui é minha razão de viver”.







O projeto aborda a identidade do Hip Hop e o aluno Evanildo, mais conhecido como Biboi Gurú, explica melhor esse movimento: “O hip-hop não é só música, mas sim a junção de quatro elementos: expressão corporal (breack), poesia (hap), música (Dj) e visual (graffiti)”. Este último surgiu em Nova York no fim da década de 60 e a maioria dos grafiteiros usava os tag’s (assinaturas) sempre com números que correspondiam a rua em que moravam ou o número da casa, exemplo disso era Tak 183, Phase 2 e Cope 2. Nos anos 80 o graffiti chega ao Brasil, em São Paulo, com os grafiteiros Os Gêmeos, que se tornaram reconhecidos até hoje com o spray, depois deles apareceram Binho, Tinho, Speto, Victhe, mas só em 1993, através do grafiteiro Flipjay, o graffiti chega ao Ceará.
Este ano o Brasil aprovou uma lei que tira o graffiti do código penal e o coloca como arte, mas muitos grafiteiros já sofreram alguns preconceitos, como explica Tubarão: “Quando comecei, em 99, era muito difícil pintar, muita repressão da polícia, essas coisas. As pessoas também não sabiam o que era graffiti, confundiam com pichação e quase nunca conseguíamos a liberação de muro, então, eram sempre trabalhos feito ilegalmente. Agora o preconceito é menor, mas ainda existe,[...] esse lance de arte e vandalismo, acredito que isso é taxar o graffiti, e não concordo com isso. Ele é um tipo de arte, mas uma arte voltada mais pro social e com caráter de rua mesmo, nossa arte é pública”.




Graffiti de Ice Rick


Grande parte dos grafiteiros de hoje, já foram pichadores e agora condenam sua antiga atividade. Um deles é Henrique, mais conhecido como Ice Rick, que é ex-pichador e diz que há uma grande diferença entre pichação e graffiti, para ele a arte de grafitar mostra algo bonito para a sociedade, já a pichação polui a cidade. Hoje, em cada obra de graffiti que desenha, coloca sempre uma boa mensagem para aquelas pessoas que olham e admiram sua arte.






Entrevista com Ice Rick (pichação e graffiti)



Arijonas, aluno do Projeto Farol, também é prova viva disto: “Eu já pichei muito e era tudo feito nas intoca, o grafite é diferente, é liberado. Aqui no bairro não tem nenhuma atividade, o único projeto que tem aqui para a pessoa se entreter é esse. Aprendi muita coisa já, não picho mais”. E não são só meninos que participam, é o que afirma a aprendiz de graffiti Ana Kézia: “Tô aprendendo muito, não sabia nada, e tem muita mulher aqui se envolvendo com graffiti, além de nós, tem mais meninas. Eu não vim aqui só pra me entreter, quero fazer graffiti profissional, sempre achei interessante, meu irmão já fazia e quando apareceu esse projeto, me inscrevi logo”. Diferente de Kézia, Flávio Santos não sonha em ser grafiteiro, seu desejo é trabalhar com odontologia: “Vim só pra aprender, já participei de um curso de artes plásticas no SENAC, mas desisti. Só que aqui, nesse projeto, é bem mais descontraído, mas não pretendo usar pra ganhar dinheiro”. Mesmo não desejando fazer sua carreira profissional no graffiti, Flávio finaliza: “o pessoal pensa que arte é uma coisa perfeita, mas arte é um sentimento”.


Davi Favela e Elenilse, organizadores do projeto


Os coordenadores do projeto também aprendem, a cada dia, mais sobre a arte de grafitar, é o que afirma Elenilse, cantora do grupo Afoxé Acabaca e faz o apoio pedagógico do projeto: “Tô aprendendo muito junto com o Davi Favela, percebi a diferença entre pichação e grafite. O grafite só se faz se o dono do muro consentir, pra pichar o cara não faz isso. No grafite você consegue fazer a leitura, ele passa uma coisa boa, já a pichação faz com que a pessoa arrisque sua vida. Próximo lá de casa, um menino de 16 anos resolveu pichar numa parte bem alta de um prédio, virou de cabeça pra baixo, caiu e morreu. Já vi até um aluno me dizendo que conseguia pegar numa arma pra dá um tiro, mas não conseguia pegar na lata de spray, porque se tremia todo. Eu quero mudar isso, preparar o adolescente pra vida”.






O graffiti não é arte só para quem mora na favela, a arte de grafitar já foi debatida dentro de algumas escolas particulares, projetadas em grandes obras de arte, através do Graffiti Ren, é como conta Amanda Batista: “Minha professora, um dia, mostrou pra gente o grafite dentro da arte clássica, através dessas obras. Achei tudo muito lindo”.
E não é só pintar por divertimento, é como afirma Davi Favela: “Tem alunos meus fora (de Fortaleza), tem uns que tão ganhando mais dinheiro do que eu. Tem dois que estão viajando agora para o Juazeiro para pintar canga de praia, outros estão pintando tela. Tem uma aluna minha que trabalha em uma funerária, começou no graffiti, mas tá agora deixando os rostos dos defuntos mais bonitinhos, usando a mistura de cores que aprendeu. Ou seja, o graffiti é a porta e a gente utiliza a lata de spray como instrumento de inclusão social”.






Babau


Dia 19 de novembro, os alunos do Projeto Farol se reuniram na Praça do Ferreira com os adeptos do hip-hop para comemorar, antecipadamente, o Dia da Consciência Negra, 20/11. No evento, vários grupos se apresentaram e, cada um, tinha 30 minutos para mostrar simultaneamente todos os elementos do hip-hop, confirmando a união existente entre eles. É o que reforça Babau: “Autoestima o tempo todo, irmão. Vocês fazem parte de um todo, todos juntos nesse mesmo barco. A periferia é uma só, não é o rap, dança, graffiti, é tudo. Somos pobres, temos a mesma cor, muda só tonalidades, vocês têm que saber o que é consciência negra, têm que entender o que significa essa data, tem que pensar em hip-hop, ser preto 24 horas”.







Academia da Arte



É sabido que a arte é uma manifestação do sentimento humano, através de percepções, emoções e idéias. Para aqueles que desejam agregar formação acadêmica a esses atributos da arte, duas instituições em Fortaleza oferecem cursos de nível superior na área, a Universidade de Fortaleza (Unifor) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCe) oferta, ,respectivamente, o curso de Bachalerado em  Belas Artes, com habilitação em Artes Plásticas ou Artes Cênicas, e os cursos de Licenciatura em Artes Visuais e Teatro.

Os graduandos em Belas Artes têm a oportunidade de aprender as principais diretrizes relacionadas às linguagens artísticas, pesquisar as relações com os elementos do espaço de representação, analisar, refletir e produzir técnicas de expressão, dentre outros aspectos. O grade curricular dos cursos de Artes do IFCe também não é diferente: Fundamentos de linguagem visual, comunicação e linguagem, psicologia da aprendizagem e fundamentos da arte na educação.

De acordo com o professor e coordenador do curso de Belas Artes da Unifor, Carlos Velasquez, a procura por cursos de Arte ainda é pouca no Brasil, se comparada a outras áreas de graduação. O curso de Belas Artes da Unifor possui um total de 80 alunos matriculados, o que o colocou como um referencial entre os cursos de artes no Brasil e no exterior. São 3,000 estudantes no país todo, mesmo 80 sendo um número pequeno, em relação, é bastante significativo. Os alunos do curso participaram, em Outubro de 2011, de uma exposição na Assembleia Legislativa de São Paulo, antes disso, de outras realizadas na Bienal de Roma, na Catalunha, Espanha e no estado do Arizona, nos Estados Unidos.


Mas a exposição não precisa ser, necessariamente em galerias e amostras de arte, todo semestre, alunos do curso de Artes Visuais do IFCe se reúnem para realizar um “mutirão” para renovar as pinturas dos muros da Reitoria e Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC). Quem nunca se admirou, ou mesmo se assustou, com os murais pintados ao longo da Av. 13 de Maio? 

Opções
 
Os cursos não se limitam apenas a aulas de artes plásticas, como desenho, pintura e escultura, os alunos também entram em contato com o drama, canto e literatura, podendo escolher, ao longo do curso, em qual vertente da arte ele quer se especializar, levando em consideração suas aptidões e gostos. 

Confira, agora, um podcast com um professor de canto dando dicas introdutórias de exercícios de voz:

Dica de canto para iniciantes - Afinação by Julie Scott

Assista alguns vídeos gravados pelo Professor da Unifor, Edu Oliveira (arteduoliveira) durante as aulas do curso de Belas Artes:


 

SERVIÇOS
Matrizes curriculares dos principais cursos de artes de Fortaleza:
Artes Visuais - IFCe
Teatro - IFCe
Belas Artes - Unifor

A arte nas coleções da estilista Ticiana Sampaio


Por Marina Maia & Márcia Pessoa

Segundo o Professor de Belas Artes da Universidade de Fortaleza, Carlos Velazquez, a palavra Arte decorre do latim Ars, que significa "arma", no sentido de ferramenta e seu correspondente grego é Techné, significa técnica. Assim, na antiguidade, entendia-se por arte qualquer coisa que resultasse de uma aplicação técnica, da utilização racional de ferramentas, ou seja, tudo aquilo que foi transformado pelos humanos e não se encontra no seu estado natural. Neste sentido estrito, a moda, como todos os feitos humanos, é uma arte.


Para Ticiana Sampaio, estilista, além de ser sua área de atuação profissional, a moda é algo apaixonante. Ela conta que a moda entrou em seu caminho não como uma simples opção profissional, mas por uma descoberta surpreendente e realizadora. “Eu fazia faculdade de Direito, estava no segundo semestre, quando uma amiga quis prestar vestibular pra moda e me chamou pra fazer com ela. Passei e os planos era conciliar as duas faculdades, mas a moda era vista como algo secundário. Entrei na faculdade e comecei a me apaixonar. Abandonei as aulas de Direito, pra me dedicar totalmente à faculdade de moda.”

A jovem empresária teve uma trajetória profissional bastante diversificada. Quando a estilista estava na metade da faculdade, surgiu um estágio como Produtora de moda do Sistema Verdes Mares. “Era interessante, eu gostava, porque não tinha uma rotina fixa. Íamos atrás de roupas nas lojas para as repórteres, mas ainda não era o que eu queria, pois eu sempre gostei de criar, de produzir, desenvolver produto, montar fábrica", justifica.


Depois do primeiro estágio, surgiu uma oportunidade de trabalhar com o estilista Lino Villaventura. “Lá foi uma experiência maravilhosa. Eu fazia o que eu realmente gostava, pegava um tecido cru e desenvolvia a roupa." Após certo período de trabalho, a estilista quis ampliar seus estudos, partindo para Londres com o objetivo de fazer cursos voltados para as técnicas de alta costura, foi quando encontrou sua identidade criativa. Na volta da viagem, Ticiana Sampaio começou a trabalhar em casa, com apenas uma costureira, fazendo encomendas de vestidos de festa para as amigas. Inclusive, este segmento da moda é o que a estilista mais se identifica.


Podcast Ticiana Sampaio

“Sempre gostei de vestido de festa porque eu posso expressar minha parte criativa. Hoje a moda é de tendências, em termo de tecidos, de cores, de comportamento, você tem que seguir aquele patamar." A estilista acredita que a arte é foco central do seu trabalho, pois  a ajuda na composição de novas coleções. "Eu sempre viajo com uma máquina e qualquer coisa que eu acho interessante, eu tiro uma foto. Adoro visitar museus. Pego as obras de Monet como inspiração para a cartela de cores da minha coleção, por exemplo. Muitas coisas da arte ajudam a desenvolver minhas criações. Eu faço essa coleta de imagens, informações, brending storm e começo a transformar em roupas, volumes e texturas", finaliza.

Colecionadores da sétima arte impulsionam o cinema

Colecionar, segundo o dicionário, significa reunir em coleção algo. Acumular uma determinada quantidade de objetos tornou-se uma atividade bem divertida e prazerosa. Uma das coleções mais feitas hoje em dia são as de filmes e seriados. Segundo especialistas, e os próprios colecionadores, são eles que ajudam a indústria cinematográfica a crescer cada vez mais.

Luca Laprovitera, estudante de jornalismo que reside em Nova Iorque, nos Estados Unidos, é uma das pessoas que tem esse passatempo. “Sempre fui fã de filmes, de vez em quando via bons filmes por preços baixos e quando menos percebi já estava com quase 50 DVDs na coleção”, diz o estudante.

A adoração pelo divertimento é tão grande que ele não sabe bem a quantidade de filmes que ele possui. “Não sei ao certo, pois ela (a coleção) está dividida. Parte está aqui nos Estados Unidos com uns 20 filmes, os outros em Fortaleza devem ficar entre 60 a 80 DVDs”, relata.

Uma das maiores divergências entre os colecionadores é o fato de se as coletâneas e os filmes devem ser abertas para serem assistidas ou se o divertimento torna-se algo sério e todos os DVDs são como espécies de troféus. “Os dois, gosto de aproveitar tudo deles, então vejo cenas, vejo os extras, outros eu apenas guardo”.

Além disso, o estudante comentou que um dos maiores prazeres que tem após assistir uma de suas películas é discutir com outros cinéfilos sobre as suas preferências.“Existe até um grupo no Facebook chamados "Cinéfilos em Fortaleza" aonde temos amantes e colecionadores da sétima arte”, disse entusiasmadamente.

Para Luca não existe coisa melhor do que ir ao cinema e poder apreciar o filme projetado em uma grande tela, sentado na poltrona e comendo um saco de pipocas. “Sem dúvidas. No cinema, existe todo um clima, todo um ritual, é diferente”.



Mas para o advogado Matheus Albuquerque, 40 anos, colecionar filmes é uma forma de fazer arte. “Quando estou comprando um filme, sinto que estou elaborando uma grande obra de arte. Ao chegar a minha casa, me recuso a abrir as caixas da minha coleção. Do jeito que compro, lá fica”.

Com o intuito de impulsionar a indústria cinematográfica, Albuquerque tenta, de certa forma, ajudar seus diretores e atores preferidos. “Ao procurar um filme para comprar, vou logo atrás dos que meus diretores preferidos e que os meus atores e atrizes que eu mais gosto tenham atuado”, contou.

“Acredito que isso acaba ajudando o mercado. Diferente do que alguns pensam, nós, colecionadores, investimos muito dinheiro nos DVDs, coletâneas, outros produtos e, principalmente, nas salas de cinema, que não deixamos de freqüentar”.

O crítico de cinema Jean Martins, que trabalhou no site especializado no assunto omelete, concorda com a tese de que os colecionadores são à base do mercado. “Sem os fãs, com certeza não existiria os filmes. E, mais ainda que os fãs, quem acaba contribuindo mais são os colecionadores, pois eles, além de freqüentarem o cinema, adquirem os DVDs e compram os produtos licenciados", afirmou o especialista.


-O cinéfilo Luca Laprovitera mostra parte da sua coleção.


- Para ouvir o podcast sobre coletânea de filmes, clique no link abaixo:
Podcast - Coleção de filmes

- Mapa de onde assistir e comprar filmes em Fortaleza:

Visualizar Cinema Fortaleza em um mapa maior


Repórteres: João Romero e Thiago Rocha

Na terra do forro, o Rock e cultura

O rock em sua essência sempre foi música de protesto e de contestação dos padrões de sua época desde do seu começo nos anos 50, mas será que esse estilo de música pode ser considerado arte? De acordo com o professor de Belas Artes, Carlos Velazquez, sim. “Arrumar sons no espaço temporal nas escalas modais que e o rock utiliza e com os instrumentos que caracterizam o rock, fazem do rock uma arte”.

Dito isso, fomos conferir o trabalho da Associação Cearense do Rock (ACR) que surgiu em 1998 com o objetivo de contribuir com o crescimento e o desenvolvimento da cena em Fortaleza e no estado do Ceará. “No nosso bairro (Parque Araxá) onde foi criada, tínhamos diversas bandas, artistas ligados ao underground, estúdios de gravação, fanzines etc. Só que não fazíamos nada articulado, cada um fazia o seu. Com o surgimento da ACR, essas ações passaram a serem mais articuladas. Dai, nasceu o ForCaos, as mostras de bandas de Rock no Dragão do Mar, pesquisas acadêmicas, CDs coletivos e documentários, a luta pela desobrigatoriedade da filiação à Ordem dos Músicos do Brasil (OMB). Foi um momento bom para a cena, que ganhou bastante visibilidade e que viria inspirar outras experiências coletivas na cidade”, afirmou o então presidente da ACR, Amaudson Ximenes.



Recentemente, a ACR desenvolveu um projeto chamado Sexta Rock, que buscava divulgar o rock em comunidades carentes.  Amaudson explica que "o projeto Sexta Rock integra a rede Musicativa, responsável pela articulação de alguns dos festivais locais (ForCaos, Pro-Cultura, Feira da Música e Ponto.CE). Além da divulgação dos festivais, o projeto trabalhou integrado com as políticas municipais de enfretamento e combate ao crack em bairros como Bom Jardim. Os atores eram os próprios músicos integrantes do projeto que funcionaram como agentes multiplicadores”. Com iniciativas como essas, além da divulgação do rock em bairros periféricos, diminuirá o preconceito em relação ao estilo musical muitas vezes ligados somente a drogas e vandalismo.



O corpo vira tela, a tatuagem vira arte

"Um corpo sem pintura é um corpo mudo." Índios Caduveos.
A tatuagem existe há milênios. Há quem acredite que marcar o corpo existe há tanto tempo quanto a humanidade, mas como não há registros que comprovem tal fato, precisamos procurar em provas mais recentes, como no Egito Antigo (2160 a 1994 a.C), em que foram encontrados corpos femininos com indícios de tatuagens em seus abdomens. Atualmente, a tatuagem é muito comum. Seja para homenagear alguém, para registrar um momento, ou por pura estética, a mania de usar o corpo como tela pegou.

Jackson, da Primitive & Modern Tattoo, começou a tatuar profissionalmente com apenas 18 anos e já exerce a profissão há 7 anos. Primeiramente interessado somente em aprender a aplicar piercings, foi só depois de receber motivação do tatuador que fez sua primeira tatuagem que ele resolveu se dedicar a essa arte. Ele conta que sempre gostou de desenhar, mas que a princípio não desejava trabalhar com isso, pois tinha medo de perder o prazer pelo desenho. "Só depois eu percebi que fazer o que você gosta e ganhar dinheiro com isso é muito melhor", acrescenta.

Quando ainda estava aprendendo a tatuar, Jackson utilizou amigos, parentes e vizinhos como cobaias. "Eu fiz tatuagens em lugares mais escondidos, e depois, quando eu me aperfeiçoei mais, tentei dar uma consertada ou até cobrir a tatuagem", confessa. "Desenhar" na pele de uma pessoa é diferente de desenhar no papel, então todo tatuador passa por uma fase de adaptação.

Galeria de tatuagens da Primitive & Modern Tattoo



Perguntado se tatuagem é uma forma de arte, Jackson é firme ao responder com um "com certeza". Ele acredita que a tatuagem é uma arte coletiva, porque além da inspiração do tatuador, também envolve o desejo de quem vai ficar com o corpo marcado: "É uma arte para o resto da vida mesmo. Uma arte que vai ter muito sentido para aquela pessoa, muito significado; vai marcar uma fase. Ou talvez seja mesmo só estética, mas quando envolve desenho, querendo ou não, é uma forma de você se manifestar."

Assim, Jackson considera como sua obra-prima cada uma das tatuagens que já fez, pois em cada uma ele deu o seu melhor. "Não importa se estou desenhando uma borboletinha minúscula ou se estou 'fechando' as costas de alguém com um enorme dragão; pra mim tem o mesmo valor", finaliza.



Tiago HC, também da equipe de tatuadores da Primitive & Modern Tattoo, tatua uma cliente




"Qual o significado da sua tatuagem?"
É fato: qualquer um que possuir uma tatuagem e deixá-la a mostra, um dia vai ouvir essa pergunta. Alguns já ouviram essa pergunta tantas vezes e já estão cansados de ter que explicar, que já tem uma resposta pronta para a história de suas tattos. Outros, explicam tudinho com o maior prazer, como é o caso dos nossos entrevistados.

Carlos Sawaki tatuou Bunga Teruong
Carlos Sawaki, 23 anos: "Já fazia um tempo que estava pensando em fazer (uma tatuagem) e sempre achei bonito. Tenho descendência nipônica e sempre gostei do estilo oriental de desenho em tattoos. As que tenho (são duas) se chamam Bunga Teruong. É uma tatuagem tradicional de uma tribo de índios (Ibans) da ilha de Borneo, na Indonésia. Essa tribo tem o costume de tatuar o corpo com um método rústico e a Bunga Teruong é feita na passagem do jovem indígena para a fase adulta, protege o indivíduo contra maus espíritos e os espirais diferenciados são uma representação do ciclo da vida."

Uma das tatuagens de Ella Rafa representa seu diagnóstico: transtorno bipolar
Ella Rafa, 26 anos: "Tenho 4 tatuagens. Tenho uma fada nas costas; é uma fada triste, pois eu vejo muita beleza na tristeza, e foi dada por um ex-namorado, que queria deixar sua "marca" pra sempre­ ­. Tenho a Branca de Neve e a Bruxa tatuadas como uma carta de baralho. As duas são parte de minha personalidade bipolar, pois assim sou diagnosticada­ .­ E tenho a frase "Because you always hurt the ones you love" ("Porque você sempre machuca aqueles que ama" com uma caveirinha. A frase é o verso de um poema de um masoquista, Bob Flanagan. A caveirinha significa a morte, pois pra mim o amor é morte e a frase fala por si só. A outra é um floral handfree (à mão livre, o tatuador desenha o que quer)."
Igor fez sua tatuagem para homenagear a mãe e os avós

Igor Aguiar, 22 anos: "Tatuei uma coroa de rainha, significando minha mãe, e duas faixas pretas abaixo da coroa, significando meus avós, todos falecidos. Eu queria algo bonito (um desenho bonito) e com algum significado."

Muitos acreditam que tatuagem é apenas um adereço, um enfeite, algo que se utiliza apenas por moda e estética, mas na perspectiva de nossos entrevistados a marca na pele vai além disso, elas têm um significado especial, de aprendizado, sofrimento e superação. Para eles, tatuagem é arte, pois além da técnica utilizada no desenho é uma forma de expressão dos sentimentos. 

Carlos Velazquez Rueda, professor do curso de Belas Artes da Universidade de Fortaleza, concorda que pelo aspecto da técnica utilizada tatuagem é uma arte sim, mas no aspecto educacional que a arte deve ter a tatuagem perde esse valor, pois muitas vezes é usada apenas como adereço ou por moda, com algumas exceções, como na cultura oriental. Veja mais no áudio a seguir:



Professor Carlos Velazquez fala sobre Arte e Tatuagem by Luciana Bezerra Santos

Por Bárbara Guerra e Luciana Bezerra

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Moda e natureza de mãos dadas

Afinal, o que é isso?



A moda na sua essência, cria peças e tendências. Mas, o que anda acontecendo hoje no mundo da moda, é sua união com a sustentabilidade. É com lixo reaproveitado, reciclando produtos e recriando peças que não tinham mais usos, que estilista e estudantes de moda criam peças sustentáveis. E você, sabe o que isso significa sustentabilidade? Sustentabilidade está relacionada com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. Em outras palavras, é viver hoje, preservando e pensando no futuro. 

E quem faz isso?


O grupo Lixúria de estudantes do curso de Estilismo e Moda da UFC, transformam materiais recicláveis que iam paro o lixo em arte. O grupo tem 6 integrantes, Natássia Maia, Karine Matos, Mayrla Canasfístola, Laura Nefitale e Meiriane Nascimento, que participaram do Concurso Novos Talentos do Dragão Fashion Brasil. O concurso pedia que os concorrentes elaborassem apenas duas peças com materiais recicláveis, mas as meninas fizeram todas as oito peças da coleção com o material. Elas encantaram o público, pois conseguiram levar luxo, brilho e muita criatividade para o desfile.

O nome do grupo, Lixúria, já chama a atenção, pois é a identidade do que propõe, que é unir a beleza do luxo e o uso do lixo. Karine Matos, uma das integrantes, conta que pensaram primeiro foi no nome do grupo e só depois partiram para a criação. Com a identidade escolhida, as meninas começaram a pensar nos materiais que seriam usados para a produção das peças, que tiveram como inspiração as cortesãs, que eram símbolo de beleza, sedução e luxo. Tanto que, nas peças, a inspiração é bastante forte, abusando de corset, decotes e saias. Os materiais mais usados pelo grupo Lixúria foram as latinhas de refrigerante, tampas de garrafas, garrafas pet, aros de bicicleta, caixas de leite longa vida, dentre outros. “A nossa ideia era fazer com que as pessoas não vissem material reciclado na passarela, apenas saber que eram matérias recicláveis. Só para imaginarem como foi feito” , relata Natássia Maia, uma das integrantes.




As estilistas não utilizaram peças de lixões. “Não pegamos material de nenhum aterro, apenas retiramos das ruas, proximidade de bares e até pedimos a amigos e conhecidos que juntassem esses materiais para nós”, disse Mayrla Canafístula. Elas também contaram com a ajuda de um artista plástico, para ajudar na execução das peças, já que elas não sabiam modelar os alumínios. As meninas cuidaram de cada detalhe e trabalharam juntas na realização da coleção.   




Na criação, Karine Matos conta que o grupo trabalhou junto em todo o processo, cada peça, cada detalhe e cada material foi decidido pelas seis meninas. Elas utilizaram alumínio e as cores dourado, ouro velho e tons metálicos para dar identidade à coleção feita pelo grupo. “No início pensamos em trabalhar com o ferro, porém, lembramos que ele seria muito difícil de trabalhar devido ao peso, então, decidimos trocar pelo alumínio, para dar mais movimento e leveza à nossa coleção”, disse Natássia. Elas fizeram corset de paetê feito de pequenos pedaços de garrafas pet; saias com aros de bicicleta, com chapas de alumínio e fios de alumínio; corset também de fios de alumínio; anéis de colher; e, buquê de garfos velhos e arames de cadernos. É de encher os olhos a criatividade e a disposição das meninas, pois todas as peças são artesanais e com um alto nível de dificuldade para serem feitos. 

O grupo contou com a ajuda e colaboração da UFC para a realização desse trabalho. “Queríamos agradecer o apoio da universidade, dos professores que nos orientaram nesse trabalho, ao PRAE, aos alunos que nos ajudaram, até mesmo costurando algumas peças, enfim, a todos”. Agradece Natássia, que diz que sem apoio talvez elas não tivessem conseguido realizar esse projeto. O grupo, além de trabalhar com materias recicláveis, também pensa na sustentabilidade da moda.

"Nós, como estudantes, somos "obrigados" a repensar o futuro, a partir das peças que estão sendo criadas. Pensando para onde ela vai e o que vai acontecer com ela. Então, a gente hoje aprende isso na faculdade e faz parte da criação, sim. Isso incomodou a gente e fez nosso grupo criar um coleção totalmente sustentável!", comemora Karine, e Natássila Maia completa dizendo que "isso é uma obrigação. Nós que somos design somos formadores de opinião e temos que inserir na nossa criação uma atitude sustentável, para que possamos passar para a sociedade o que pensamos".


Confira, na íntegra, a entrevista com as meninas do grup Lixúria:










Para muitos a sustentabilidade está diretamente relacionada com o meio ambiente e, se pararmos para pensar, é ele quem mais preocupa. As fontes renováveis estão cada vez mais esgarçadas, as florestas são desmatadas a cada minuto, a natureza grita por socorro. 


Não é de hoje que as empresas tentam encontrar formas de produzir moda sustentável. Ao mesmo tempo em que buscam meios que reduzam a agressão ao meio-ambiente, buscam produzir peças sustentáveis. Mas o que pouca gente sabe, é que a onda ''ecofashion'' vem tomando espaço no cenário nacional e até internacional. Não basta só produzir as peças que são tendências, tem que respeitar o meio-ambiente. A produção de roupas e acessórios podem ser feitas com diversas alternativas sustentáveis, o exemplo mais famoso disso é a utilização das garrafinhas PET, que pode ser transformadas em tecido, além dos pneus para produção de calçados e da madeira de reflorestamento para a produção de bijuterias, como colares, brincos e pulseiras.

Mas o que a moda tem a ver com a sustentabilidade? Muito. Primeiro é necessário pensar em todo o processo da produção da indústria da moda, desde a utilização de materiais orgânicos e recicláveis, como na redução de gás carbônico. É, o mundo da moda também se envolve com o meio ambiente. 


Você sabia...

Que para se confeccionar um blusa de algodão de 250 gramas, isso mesmo, algodão, é utilizado 160 gramas de agrotóxicos que são despejados em rios?

Que para que uma calça jeans esteja pronta, no seu processo de fabricação são utilizados as mesmas quantidades de água que uma pessoas precisa para viver durante 1 ano?

Que cerca de 8 mil tipos de produtos químicos são usados para a transformação de matéria-prima bruta em tecidos e que muitos desses produtos provocam danos irreversíveis na humanidade e no meio ambiente?

Que a produção de couro para roupas, bolsas e sapatos está entre as que mais poluem o meio ambiente. Isso porque, para amaciar o couro, são usadas toneladas e mais toneladas de sal, entre outros produtos. Esse sal é dissolvido em água, que vai parar no solo. Anos e anos de produção provocam o acúmulo de água salgada em regiões onde o sal não é parte do ecossistema.

Pensando nisso, muitos responsáveis pelo mundo da moda resolveram pensar em uma moda sustentável. Afinal, segundo o site FashioNYC, é que quase 100% dos tecidos existentes são recicláveis, e a indústria que faz essa reciclagem é capaz de reaproveitar mais de 90% das roupas descartadas. E isso é feito sem gerar subprodutos nocivos ao meio ambiente.


Nada é velho, tudo se transforma!



Outra alternativa agradável e caseira, é a técnica upcycling - valorização do ciclo, que pode ser feita através da customização de roupas. Ou seja, pegar aquela calça velha e transformar em um short, tingir uma camisa que faz tempo que você não tira do armário, pregar botões, aplicar paetês, tudo isso reduz o custo e ainda fica a sua cara! Mas não é só em casa que se pode encontrar moda sustentável, as grandes passarelas já inauguraram essa tendência eco-friendly por estilistas conceituados como Ronaldo Fraga e Alexandre Herchcovitch. Giorgio Armani inovou ao trazer uma coleção de jeans orgânico e o estilista, Oscar Metsavaht, da marca Osklen, que em sua última coleção foi feita de algodão orgânico, sem uso de agrotóxicos. Essa recente preocupação dos estilistas em produzir material sustentável vem das exigências dos próprios consumidores, pois preferem a moda que não agrida ao planeta.



Por: Ravelly Marques e Taís Mont'Alverne