Ele gosta de desenhar, de viajar, de conhecer pessoas, de observar e de surfar. E decidiu unir tudo isso na sua arte, sua forma de tentar melhorar o mundo. Artesão autônomo há seis anos, Franklin Ferreira, 41 anos, começou seus primeiros trabalhos manuais por influência de um amigo surfista. Fez uma peça decorativa de gesso ilustrando um surfista pegando uma onda. Mas foi além do caráter decorativo e, já pensando em maneiras de como não degradar o ambiente, começou a trabalhar com lixo eletrônico. “Eu observei que pouca gente trabalha com lixo eletrônico. As pessoas abrem as peças e retiram alguns materiais encontrados dentro, como o cobre, mas não fazem nada com a carcaça”, recorda.
Atualmente, ele faz peças decorativas e funcionais e divulga seu trabalho através da marca Maré Verde, criada a partir do conceito de maré "que deve arrastar as pessoas para reutilizar a natureza (o verde)". Seu blog, existe há quatro anos e, de lá pra cá, Franklin já participou de várias exposições temáticas, concursos e já efetuou vendas pela internet para cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.
“O curioso é que o pessoal daqui pergunta por que é tão caro e o do Sul pergunta por que é tão barato?! Acontece que uma idéia não tem preço... e dependendo do material utilizado, há peças que podem durar um tempo de até quatro gerações. Há uma incompreensão à respeito desse tipo de trabalho. A maioria das pessoas que fazem reciclagem, o fazem por modismo", explica o artesão.
“O curioso é que o pessoal daqui pergunta por que é tão caro e o do Sul pergunta por que é tão barato?! Acontece que uma idéia não tem preço... e dependendo do material utilizado, há peças que podem durar um tempo de até quatro gerações. Há uma incompreensão à respeito desse tipo de trabalho. A maioria das pessoas que fazem reciclagem, o fazem por modismo", explica o artesão.
Divulgando Fortaleza
Alguns de seus trabalhos ilustram pontos turísticos de Fortaleza, como a estátua de Iracema, a Ponte Metálica e o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. “Quando vou à São Paulo ou até mesmo à Jericoacoara, sempre levo comigo algumas peças que representam peculiaridades próprias daqui, da nossa terrinha”, orgulha-se.
Apagador de lousa, porta-guardanapo, porta-chave e tiara de cabelo são feitos com mouses. Teclados são transformados em telas. Cartões telefônicos em imã de geladeira. Garrafas pet formam um revisteiro e um garrafão d’água torna-se quase irreconhecível ao ser identificado como abajur. E há mais matéria-prima, como descreve o artesão: "Além desses, uso parafuso, tinta nankin, cola quente, alicate, ferro quente para abrir os furos, papel, tecido, lacre de latas de refrigerante, dentre outros, e muitos consigo através de doações. O legal é que o próprio design dos mouses e teclados ajuda na composição da arte final”.
Veja abaixo a produção de Franklin:

Já Társila Peixoto, artista plástica de 27 anos, transforma tudo o que toca, não apenas o que iria para o lixo em mãos comuns e descompromissadas com o meio ambiente.
Já tendo trabalhado com design de moda e design gráfico até 2010, atualmente Társi, como gosta de ser chamada, faz pesquisas sobre reciclagem e uso de materiais, assim como produz telas, porta-chaves e cartões sobrepondo diferentes materiais: “Procuro usar o que geralmente seria jogado fora. Ou mesmo coisas com as quais simplesmente não faríamos nada. Uso isopô, tinta, fita, lantejoula e diferentes tipos de papel".
Planos
Cursando Design de Interiores na Faculdade Integrada do Ceará, FIC, Társi planeja ainda trabalhar com design de produtos decorativos como móbiles feitos de garrafas pet, e com design gráfico, fazendo calendários e agendas a partir de material reciclado.
“Meu objetivo é transmitir mensagens positivas. Nos meus cartões há mensagens de paz, amor, e amizade. Acredito que são coisas alcançadas a partir da preservação da natureza e da conscientização de que é preciso utilizá-la de forma transformadora e responsável", conclui.
E reciclar não só é uma prática admirável como também fundamental no atual contexto cultural, social e econômico em que vivemos. Quem melhor explica sobre isso é o professor Albert Gradvohl, da disciplina de gestão ambiental do curso de Ciências Contábeis da Unifor:

"uma idéia não tem preço", é veRdade.;)
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